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Meu primeiro emprego: como funciona o programa Jovem Aprendiz e como conquistar uma vaga

Especialista da Companhia de Estágios aponta as vantagens de entrar no mercado de trabalho pelo programa e como conseguir uma vaga

Por Redação 4 mar 2026, 08h00 | Atualizado em 4 mar 2026, 10h30
Fileira de cadeiras cinzas com uma vermelha iluminada por um holofote.
 (peshkov/Getty Images)
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  • Ingressar no mercado de trabalho é um dos maiores desafios para quem está começando. A falta de experiência e a competição com quem já tem currículo podem desanimar, mas é justamente para equilibrar esse jogo que existe o Programa Jovem Aprendiz. Criado pela Lei da Aprendizagem  (Lei nº 10.097/2000) como um programa social que visa combater o trabalho infantil, a evasão escolar e o desemprego, o projeto permite que estudantes iniciem uma carreira e tenham aprendizados práticos, mantendo a rotina de estudos regulares e protegidos por um contrato formal de trabalho. 

    O momento para buscar uma oportunidade é histórico. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em novembro de 2025 o Brasil atingiu a marca de 715 mil jovens aprendizes, o maior saldo da série já registrada. Além de ser uma oportunidade para conhecer o mundo do trabalho, o programa é um pilar social: uma pesquisa de 2025 da Companhia de Estágios com a Opinion Box, revelou que o salário do aprendiz ajuda na renda de 57% das famílias, subindo para 70% entre jovens das classes D e E.

    A seguir, veja as respostas para algumas das maiores dúvidas sobre o programa.  

    O que é o programa Jovem Aprendiz? Quem pode se inscrever?

    Carolina Madureira, diretora de operações da Companhia de Estágios, explica que o programa funciona a partir de um contrato especial de até dois anos. “É uma chance de aprender sobre o mundo do trabalho em diversas áreas, como por exemplo, finanças, RH, administração e logística, recebendo apoio prático e teórico”, afirma.

    Para participar, é preciso ter entre 14 e 24 anos completos até o fim do contrato e estar cursando ou ter concluído o Ensino Fundamental ou Médio. Para pessoas com deficiência, não há limite de idade para participar do programa. 

    Quais as diferenças entre o Programa Jovem Aprendiz e o Estágio? 

    As diferenças entre Jovem Aprendiz e estágio começam pelo tipo de contrato e pelo objetivo de cada programa. No caso do Jovem Aprendiz, o vínculo é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por meio de um contrato especial com prazo determinado de até dois anos. Já o estágio não configura vínculo empregatício e é regulamentado por uma legislação própria, a Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008).

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    Sendo assim, o aprendiz tem carteira assinada e acesso a direitos trabalhistas como salário mínimo-hora, férias remuneradas coincidentes com o período escolar, FGTS com alíquota reduzida e vale-transporte. A jornada é limitada a seis horas diárias ou até oito horas para quem já concluiu o Ensino Médio, desde que parte da carga horária seja destinada à formação teórica.

    No estágio, o contrato é firmado por meio de um termo de compromisso entre estudante, empresa e instituição de ensino. A jornada costuma variar entre quatro e seis horas diárias, e o pagamento de bolsa-auxílio e benefícios não é obrigatório no estágio obrigatório, mas é a prática mais comum no estágio não obrigatório. O estagiário também não tem direito a FGTS, 13º salário ou férias remuneradas, só a um recesso proporcional.

    “Uma diferença muito importante está na finalidade do vínculo. Enquanto o Jovem Aprendiz tem como foco a formação profissional inicial e a inclusão de jovens no mercado de trabalho, o estágio busca complementar a formação acadêmica do estudante, com atividades alinhadas à sua área de estudo”, complementa a especialista. 

    Qual a faixa salarial e os benefícios do Jovem Aprendiz?

    O aprendiz recebe o salário mínimo-hora, que varia conforme a jornada e é reajustado anualmente. Dados internos da Companhia de Estágios revelam o cálculo de uma média salarial equivalente a R$ 1.218,37.  Além disso, o jovem tem carteira assinada, 13º, vale-transporte, férias coincidentes com o recesso escolar e FGTS com alíquota reduzida para a empresa de 2%. Muitas oportunidades também oferecem vale-refeição e alimentação, aproximando os benefícios da modalidade aos oferecidos para os demais profissionais.

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    Como é a rotina do aprendiz?

    A carga horária de trabalho é de até 6 horas diárias para quem não concluiu o Ensino Fundamental e até 8 horas para quem já terminou. A rotina é dividida: quatro dias da semana na empresa, sob supervisão de um gestor, e um dia em curso teórico em uma entidade credenciada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).  É importante ter em mente que a empresa contratante deve sempre oferecer o curso de aprendizagem gratuito, que esteja vinculado à área na qual o aprendiz irá trabalhar, e com duração compatível à carga horária. 

    “O expediente do aprendiz costuma ser entre 9h e 16h,  mas, para ter sucesso na experiência, é preciso ter responsabilidade e  equilíbrio. Faltas sem atestado ou reprovação escolar podem gerar demissão, já que o foco deste programa social de trabalho também inclui o desenvolvimento educacional”, detalha a especialista.

    Como a experiência agrega e quais as chances de efetivação? 

    No levantamento sobre Perfil do Jovem Aprendiz, os jovens citaram como fatores importantes para querer participar desta categoria de trabalho o desejo de adquirir experiência profissional, ingresso fácil no mercado de trabalho, apoio na renda familiar e custeio dos estudos e conhecimento da área de atuação. 

    “São oportunidades importantes para já incluir no currículo coisas como experiência profissional em grandes empresas, primeiro contato com áreas de interesse e desenvolvimento de habilidades técnicas e emocionais para o ambiente profissional”, avalia Carolina.

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    Embora o propósito da aprendizagem seja abrir as primeiras portas para o emprego formal, possibilitando contratações em outras empresas, dados internos da Companhia de Estágios revelam uma taxa de efetivação de 47,22%. Ou seja, ao fim do contrato de aprendizagem, quase metade dos aprendizes recrutados pela empresa são contratados para vagas fixas. 

    Onde encontrar oportunidades e como se preparar?

    As vagas estão em sites especializados, portais de notícias e ONGs de aprendizagem. Aqui mesmo, na Você S/A, você pode ficar sabendo de diversas oportunidades!

    Como todas as empresas com mais de sete funcionários devem contratar aprendizes, há vagas em diversos setores. Para o processo seletivo, Carolina dá o caminho das pedras: “Se for entrevista presencial, chegue 30 minutos antes e pesquise sobre a empresa. O recrutador não busca experiência técnica, mas sim interesse, pontualidade e potencial de comprometimento”. O visual pode ser simples, como jeans e camiseta, desde que adequado ao ambiente.

    Para os processos seletivos online, a especialista recomenda testar a internet, o microfone e a câmera com antecedência. Escolha um local silencioso e com boa iluminação, de preferência de frente para uma janela. “Mesmo sendo em casa, vista-se como se estivesse na empresa e mantenha o contato visual com a câmera. Ser pontual no link da reunião é tão importante quanto chegar cedo na recepção física”, conclui. 

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    Cinco dicas para brilhar na entrevista de estágio

     

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