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BRF dá lasanhas e dividendos a investidores e sobe 8,7%

Empresa anunciou também investimentos de R$ 55 bilhões nos próximos dez anos, mais do que vinha desembolsando.

Por Luciana Lima 8 dez 2020, 20h58 | Atualizado em 17 dez 2024, 10h26
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 (Laís Zanocco/Você S/A)
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Diz o ditado que o olho do dono engorda o gado (e o frango e o porco, vai). Já no mercado financeiro, o pagamento de dividendos engorda o preço das ações. E foi isso o que aconteceu com os papéis da produtora de alimentos BRF nesta terça-feira (8).

É que, durante a manhã, a companhia realizou seu evento anual para investidores e analistas do mercado no qual detalhou o planejamento estratégico para os próximos 10 anos. Durante a apresentação, o CEO da BRF, Lourival Luz, afirmou que a empresa voltará a pagar dividendos entre o período de 2021 e 2023. Isso não acontecia há 5 anos.

Fora isso, a companhia afirmou que espera dobrar a receita líquida para R$ 65 bilhões no mesmo período (no ano passado foram R$ 33,4 bilhões). E que irá aumentar a participação nos mercados de refeições prontas (alô, Rita Lobo?, tem uma lasanha congelada aqui), suínos nobres e produtos para pets (rações). Para isso, a promessa é de investir R$ 55 bilhões nos próximos dez anos — dá uma média de R$ 5,5 bilhões por ano, mais do que a companhia vinha desembolsando até então.

Mas, para não assustar os acionistas, o plano de investimentos veio com um compromisso: a  alavancagem financeira (relação entre a dívida líquida e a geração de caixa)  vai ser de, no máximo, 3 vezes; está em 2,9 vezes atualmente.

Aliás, o compromisso com o nível de endividamento e crescimento sustentável foi um mantra repetido diversas vezes pelos executivos da companhia no evento. Pudera. Desde 2016, a BRF vem lutando para sair do buraco. Tudo começou em 2014, com um processo de reestruturação mal sucedido, liderado pelo empresário Abílio Diniz, que assumiu a presidência do conselho da empresa um ano antes. De um ano para o outro (2015 e 2016), a empresa foi de um lucro de R$ R$ 2,9 bilhões para um prejuízo de R$ 372 milhões, o primeiro rombo anual desde que foi criada em 2013, com a fusão entre Sadia e Perdigão. 

Piorou em 2017, com a Operação Carne Fraca, aquela em que as empresas frigoríficas foram acusadas de vender carne com papelão, lembra? Depois daí foi só ladeira abaixo, e a BRF amargou ano após ano balanços negativos e prejuízos. Em 2018, quando Abílio deixou o comando do conselho de administração, a BRF estava com o nível de endividamento 5,97 vezes maior que o seu Ebitda (o auge foi no primeiro trimestre de 2019: 6,14 vezes). Também foi ali que ela apresentou o seu pior prejuízo, um rombo de R$ 4,5 bilhões no ano. 

Só que, desde então, a companhia trocou o comando e tenta colocar ordem na casa. Em 2019, a empresa reportou seu primeiro balanço anual positivo desde o fatídico 2016. Lucro de R$ 1,2 bilhão, mas um endividamento elevado ainda rondando. No terceiro trimestre deste ano, a empresa teve receita líquida de R$9.943 milhões, alta de 17,5% em relação ao mesmo período de 2019. Foi ajudada pela pandemia, com mais refeições em casa (e prontas — quem ainda aguenta cozinhar?) e o dólar nas alturas, apoiando exportações.

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Aí hoje, com o reforço do compromisso com a saúde financeira – e a retomada dos pagamentos de dividendos dos acionistas – os investidores deram aquele voto de confiança para a empresa. E que voto. As ações da BRF chegaram a disparar mais de 10% no intraday. No final, terminaram como a maior alta do Ibovespa, 8,69%.

Verdade seja dita, desde ontem os ventos começaram a soprar diferente para o setor de frigoríficos. É que a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), anunciou que a carne bovina brasileira deve bater recorde de exportações em 2020, com um crescimento de 10% no volume e receita neste ano. Carne bovina não é bem o negócio da BRF, mas quando a demanda de uma das proteínas sobe, as outras acompanham.

O rali da BRF ajudou a fazer com que o setor estendesse os ganhos no pregão de hoje, marcado por uma sessão xoxa no Ibov. Minerva subiu 0,90%; JBS, 0,66%.

Por aqui, o dia foi de mais confusões palacianas. O protagonista da confusão da vez foi o Ministério da Saúde. Em reunião com os governadores, além de bater boca com o governador de São Paulo, João Doria, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que qualquer vacina contra a Covid-19 vai demorar 60 dias para ser liberada para a Anvisa. Isso, no mesmo dia em que a vacinação começou no Reino Unido, foi visto com maus olhos pelo mercado.

Na segunda-feira, o problema era o risco de nova contabilidade criativa no teto de gastos, que interrompeu quatro pregões de alta do Ibov.  No final, mesmo com as perspectivas ruins na economia e na saúde, o Ibov ainda conseguiu se manter no positivo e fechar esta terça em leve alta de +0,18%, aos 113.793 pontos. 

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Ajudou o cenário externo: é que, se aqui a vacina ainda parece um sonho distante, lá fora o FDA anunciou eficácia de 95% no imunizante da Pfizer, após a segunda dose.

A Pfizer havia submetido para aprovação do FDA (a Anvisa deles) o uso emergencial da vacina no final de novembro. Com o primeiro parecer favorável do órgão, os investidores anteciparam que logo, logo, a vacina deve chegar aos bracinhos norte-americanos. E Wall Street subiu. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,35%, aos 30.174 pontos; o S&P 500 avançou +0,28%, para 3.702 pontos; e o Nasdaq cresceu +0,50%, para 12.582 pontos. Estes dois últimos, aliás, bateram recorde de fechamento histórico. 

Maiores altas

BRF: + 8,69%

Eletrobras ON: +5,92%

Eletrobras PN: +4,99%

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Magazine Luiza: +4,83%

Hypera: +3,84%

Maiores baixas

Usiminas: -4,28%

PetroRio: – 2,73%

Embraer: -2,02%

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Equatorial Energia:1,73%

Gerdau: -1,67%

Petróleo:

Brent: +0,10%, a US$ 48,84

WTI: -0,22%, a US$ 45,50

Dólar: +0,16%, a R$ 5,12

 

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