Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

Ômicron mete medo e estraga começo do recesso dos investidores

Petróleo recua mais de 3%, enquanto as bolsas americanas apontam para queda superior a 1%.

Por Tássia Kastner, Guilherme Jacques 20 dez 2021, 08h56 | Atualizado em 16 dez 2024, 16h30
-
 (Laís Zanocco e Tiago Araujo/VOCÊ S/A)
Continua após publicidade

 

Investidores estavam prontos para o Natal – só faltou combinar com a Ômicron. À medida em que os casos avançam brutalmente na Europa e nos Estados Unidos, recomeçam as restrições de circulação, colocando o mundo inteiro em alerta. E aí, depois de um ano em que as bolsas acumulam altas polpudas (você não, B3), o mais seguro é colocar um lucro generoso no bolso. É de onde vem o tombo desta segunda-feira, que já poderia ser mais tranquila com o pessoal saindo para a folga, agora adiada.

Não é pouca coisa: os contratos futuros de petróleo chegaram a tombar mais de 5% e no começo da manhã perdiam na casa de 3%. Os futuros das bolsas americanas tropeçavam ali na faixa de 1%, enquanto a Europa, com jogo valendo, caía entre 1% e 2%.

A lista de restrições só se avoluma. A Holanda impôs lockdown para serviços não essenciais até meados de janeiro. Turistas do Reino Unido foram impedidos de entrar na Alemanha – só cidadãos vindos da região podem entrar, e precisam respeitar quarentena de duas semanas. Em Nova York, o pedido é para que o governo Biden mande mais testes para monitorar o aumento de casos de perto.

Continua após a publicidade

O mercado financeiro vinha se apegando ao fato de que a Ômicron, por enquanto, parece causar apenas sintomas leves. O problema é que a variante é tão contagiosa que pode sobrecarregar o sistema de saúde mesmo assim, já que um número imensamente maior de pessoas pega a doença – por isso a volta das restrições.

Com menos viagens e deslocamentos, é natural que o consumo de petróleo diminua, por exemplo. E isso poderia ser bom para a redução nos custos de energia (alô, Petrobras). Só tem um detalhe: investidores estão com medo de que o cenário leve o mundo a uma estagflação global, em que os preços continuam a subir mesmo quando a economia patina justamente pelas restrições.

Continua após a publicidade

E há um componente de pessimismo, que ninguém gosta de viver num final de ano: a sensação de que vamos viver o pesadelo de novo. Resta é torcer que o Papai Noel não nos abandone.

Humorômetro - dia com tendência de baixa

Continua após a publicidade

Futuros S&P 500: -1,31%

Futuros Nasdaq: -1,49%

Continua após a publicidade

Futuros Dow: -1,17%

*às 8h14

Continua após a publicidade

Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): -1,37%

Bolsa de Londres (FTSE 100): -1,12%

Bolsa de Frankfurt (Dax): -1,89%

Bolsa de Paris (CAC): -1,05%

*às 8h11

Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -1,50%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): -2,13%

Hong Kong (Hang Seng): -1,93%

Commodities

Brent: -3,09%, a US$ 71,25*

Minério de ferro: 3,72%, a US$ 123,51, no porto de Qingdao na China

*às 8h10

Agenda

Hoje Congresso dá início a análise da Lei Orçamentária Anual de 2022, primeiro na Comissão Mista de Orçamento. Em plenário, o texto deve ser votado amanhã.

market facts

Copo meio vazio

A B3 registrou 49 IPOs em 2021 e houve quem tivesse apostado que ela bateria o recorde de 2007, quando 64 empresas estrearam na bolsa. O problema foram as empresas que ficaram pelo caminho. Segundo um levantamento do Valor, 75 empresas se prepararam para vender ações, mas precisaram desistir ou suspender temporariamente a oferta. Culpa do aumento do risco e da alta da taxa de juros, que deixa investidores menos dispostos a se arriscar em um IPO. Os segmentos mais afetados são os de consumo e tecnologia – justamente os que mais dependem de taxas de juros baixas para crescer.

Ficou mais cara a casa própria

A subida da taxa de juros já dificulta a vida de quem sonha com a casa própria. É que, segundo dados da FGV, a cada aumento de 1 ponto percentual no custo do crédito, 1 milhão de famílias perde a capacidade de entrar em um financiamento imobiliário. Um levantamento da Folha mostrou que as taxas de juros cobradas pelos bancos nessa linha subiram em 2 pontos percentuais desde que o BC começou a elevar a Selic. Até agora, portanto, são 2 milhões de potenciais compradores a menos. E com chances de piorar, já que o mercado financeiro espera que a taxa básica de juros alcance 11,50% ao final de 2022, ante os atuais 9,25%.

Vale a pena ler:

Acidente de trabalho

Uma das vantagens do trabalho remoto é não precisar enfrentar o trânsito todos os dias – o que potencialmente diminuiria os acidentes de trabalho do deslocamento, já que não há deslocamento de fato. Bem, na Alemanha já não é mais assim. Um trabalhador conseguiu na Justiça acesso ao seguro por acidente de trabalho depois de escorregar nas escadas da sua casa e fraturar uma vértebra. O lance é que ele estava descendo de seu quarto para o escritório de casa pela primeira vez no dia, para trabalhar. Inicialmente, a seguradora da empresa negou a cobertura do acidente. A Justiça entendeu que a caminhada entre os cômodos era “trajeto para o trabalho”. Leia a reportagem na CNN (em inglês).

Por que parou?

Durou menos de seis meses a nova quarta companhia aérea do país. Na sexta-feira, a ITA suspendeu toda a sua operação, deixando no solo passageiros que decolariam em um dos  513 voos previstos até o fim do ano. A empresa disse em comunicado que “vai passar por uma reestruturação interna”, mas o fato é que o Grupo Itapemirim, do empresário Sidnei Piva, está atolado em problemas. O mais antigo deles é o processo de recuperação judicial da operação da Viação Itapemirim, dos ônibus amarelos. Agora, a crise se estendeu pelos ares. Nesta reportagem, o UOL destrincha o passivo: há salários e benefícios em atraso, dívidas com fornecedores, descumprimento de regras da ANAC e uma dívida de R$ 253 milhões com credores. Leia aqui. E aqui um depoimento de um jornalista do Valor que estava dentro de um avião da ITA, prestes a decolar, quando a companhia parou. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital