Dia das Mães: Assine por apenas 1,99

PETR4 desdenha risco de intervenção e sobe 3,41%

Bolsonaro turbina uso das estatais na eleição: quer trocar diretores da Petrobras para segurar a alta dos combustíveis. E anunciou perdão de 90% das dívidas na Caixa.

Por Tássia Kastner 6 out 2022, 17h50 | Atualizado em 16 dez 2024, 16h02
-
 (Caroline Aranha/Fotos: Getty Images/VOCÊ S/A)
Continua após publicidade

Faltam três semanas e meia para o segundo turno. As pesquisas continuam mostrando que o ex-presidente Lula tem a maioria dos votos para levar a eleição. A pesquisa Ipec divulgada na noite de ontem apontou que, se a eleição fosse agora, Lula teria 55% dos votos válidos, ante 45% para Bolsonaro. Aí que o atual ocupante do Planalto está tirando as armas (pois é) do bolso.

Nesta quinta, a notícia é que o atual CEO da Petrobras (PETR4), Caio Paes de Andrade, está disposto a trocar diretores da companhia para evitar que eles recomendem um aumento nos preços dos combustíveis. Segundo o blog do Valdo Cruz, publicado pelo G1, estão na mira as diretorias de Finanças e Comercialização e Logística e ainda de Governança e Conformidade.

Tudo nos conformes. Paes de Andrade é o quarto presidente da Petrobras sob o governo Bolsonaro. As trocas foram ocorrendo à medida que os preços dos combustíveis subiram para acompanhar a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional.

Ele vinha dando sorte. Desde que virou CEO, as cotações da matéria-prima passaram a cair, uma reação dos mercados a uma possível desaceleração da economia global.

Reduziu a demanda, a Opep+ (o cartel dos exportadores de petróleo) decidiu reduzir a oferta também, para evitar que os preços continuassem a cair. Eles dependem da receita com commodities para garantir que a economia dos seus países continuará de boa.

O corte de 2 milhões de barris por dia foi anunciado ontem. E deu a lógica: os preços voltaram a subir e já tem consultoria prevendo que o barril do brent voltaria a ser negociado a US$ 100. A última vez que ele viu esse patamar foi no final de agosto.

Continua após a publicidade

A regra máxima do mercado é que os preços sobem de elevador, mas descem de escada. A Petrobras está fazendo o contrário. Paes de Andrade acelerou a queda nos preços dos combustíveis. A baixa foi tanta que eles acumulam deflação nos últimos dois meses. Agora, com a recuperação do petróleo, está fazendo de tudo para ir aos poucos.

Ao Valor, fontes disseram que a estatal considera a alta do petróleo “movimentos especulativos” e “insuficientes” para aumentos nos combustíveis. A defasagem no preço da gasolina atingiu o maior patamar desde julho.

Investidores decidiram não se importar, e as ações subiram 3,41%. PetroRio, +0,99%, 3R -0,09%.

E hoje teve mais uso de estatal com fins eleitoreiros. Bolsonaro anunciou que a Caixa vai anunciar um grande programa de renegociação de dívidas. O desconto poderia chegar a 90% no valor das contas atrasadas.

O país tem hoje quase 68 milhões de brasileiros com o nome sujo, segundo o Serasa. Dá 40% da população adulta. O número é tão surreal que Lula e os demais presidenciáveis apresentaram propostas para reduzir esse número. Em geral, eles falaram de renegociação com juros baixos e a perder de vista. Bolsonaro reagiu com o uso da máquina pública.

Continua após a publicidade

Do lado de Lula, o dia foi de anúncio de apoio de economistas do calibre de Armínio Fraga, Pérsio Arida, Pedro Malan e Edmar Bacha. Esses eram alguns dos caras que estavam ao lado de Fernando Henrique Cardoso na implantação do Plano Real, o programa que finalmente estabilizou a nossa moeda e trouxe estabilidade econômica. O que eles disseram? Que não dá para ter estabilidade fora da democracia.

E ainda faltam três semanas e meia. O Ibovespa subiu ao maior patamar desde abril. Fechou em +0,31%, a 117.561 pontos.

Lá fora, só se fala em recessão, e investidores estão ansiosos pelos dados do payroll para decidir os próximos passos. Cautela com medo deu em queda. Tem dias em que fica difícil acreditar que o Ibov conseguiu subir. Até amanhã.

Maiores altas

Via (VIIA3) 8,03%

Continua após a publicidade

Cogna (COGN3) 6,85%

IRB (IRBR3) 6,67%

Méliuz (CASH3) 6,30%

Yduqs (YDUQ3) 4,98%

Maiores baixas

Vale (VALE3) -2,25%

Continua após a publicidade

Bradesco (BBDC4) -2,06%

CPFL (CPFE3) -1,84%

São Martinho (SMTO3) -1,82% 

Equatorial (EQTL3) -1,81%

Ibovespa: 0,31%, a 117.561 pontos

Continua após a publicidade

Nova York

Dow Jones: -1,15%, a 29.926 pontos

S&P 500: -1,03%, 3.744 pontos 

Nasdaq: -0,68%, a 11.073 pontos

Dólar: o,50%, a R$ 5,2099

Petróleo

Brent: 1,12%, a US$ 94,42

WTI: 0,79%, a US$ 88,45

Minério de ferro: 0,29%, a US$ 94 por tonelada em Singapura

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital