Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

Taxa de juros: a força que realmente move os mercados

Ninguém sabe quando os juros vão começar a cair, mas só a expectativa de que eles devem parar de subir opera milagres no mercado financeiro. E este momento chegou.

Por Alexandre Versignassi 9 set 2022, 05h22 | Atualizado em 4 jun 2026, 17h46
-
 (Panuwat Dangsungnoen/Getty Images)
Continua após publicidade

“O mercado de renda fixa é de fato o pai de todos os mercados”, escreveu o economista e gestor de portfólios Pedro Mota, no Twitter. “É só o Banco Central sinalizar a estabilização das taxas de juros para todos os outros mercados se moverem.” 

O BC deu tal sinal em 3 de agosto, dia em que anunciou a alta mais recente da Selic, para 13,75%. O acréscimo de 0,5 ponto percentual era tão aguardado quanto o nascer do Sol. O que chamou a atenção ali foi outra coisa. O BC aproveitou o ensejo para dizer que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião [20 de setembro]”.

O mercado acompanha as falas do Banco Central com a atenção de quem assiste uma série de mistério: qualquer entrelinha pode ser uma pista valiosa para elucidar a trama. E ali estava claro: a instituição dizia, com (quase) todas as letras, que o ciclo de alta da Selic está prestes a terminar.

Foi uma jornada longa. Os juros tinham começado a subir em março de 2021, quando saíram daqueles pandêmicos 2% para 2,75% – e seguiram para o alto e avante, até atingir 13,75%, 18 meses mais tarde. 

Continua após a publicidade

A alta foi uma medida correta. Em março de 2021, a inflação acumulada nos 12 meses anteriores estava em 6,09%, já relativamente longe do teto da meta (4,5%). O BC entendeu que, sem um aumento nos juros naquele momento, o IPCA sairia do controle. E tornou-se o primeiro entre os bancos centrais das grandes economias a subir sua taxa.   

Os EUA, para comparar, demoraram. Naquele mesmo março de 2021 a inflação por lá estava em 2,6% – versus uma meta de 2%. Mas o Fed (BC deles) preferiu não mexer nos juros, mantendo a taxa na banda entre 0% e 0,25%. A alta por lá só viria em março de 2022, quando a inflação deles já estava em 8,5% – a maior dos últimos 40 anos nos EUA.    

Continua após a publicidade

Na mesma época, a Selic por aqui já estava em 11,25%. E nem assim a inflação dava trégua. Ela chegaria ao pico em abril (12,13%). E o alívio para valer só viria em julho. A inflação dos primeiros 15 dias daquele mês (IPCA-15) veio baixa, em 0,13%. O mercado, então, passou a esperar uma deflação para o IPCA do mês cheio – puxada pelas reduções nos preços dos combustíveis e da energia elétrica.

Nesse cenário, o BC sinalizou que pararia de aumentar os juros. Quando o IPCA veio de fato com uma deflação (-0,68%, reduzindo o índice dos últimos 12 meses para 10,07%), ficou claro que a Selic entraria mesmo num período de estabilização.

Continua após a publicidade

E o mercado respondeu com força. No dia 3 de agosto, o Ibovespa estava em 103,7 mil pontos. Basicamente a mesma pontuação do início do ano. No dia 25 (fechamento desta edição), eram 113,8 mil pontos – um salto de 9,7%. 

O iFix, que é o Ibovespa dos fundos imobiliários, também estava zerado em relação ao início do ano. Do dia 3 em diante, subiu 4,4% – nada mal para um índice pouco dado a altas bruscas. 

Continua após a publicidade

É a magia da expectativa por juros mais baixos no futuro. Um feitiço que faz o dinheiro sair da renda fixa e correr para investimentos mais produtivos. E que traz oportunidades mesmo dentro da renda fixa – caso dos títulos IPCA+, que podem passar por uma valorização histórica. Eles são o tema da nossa reportagem de capa.

Que os mercados se movam. Porque é a ascensão deles que faz a humanidade andar para a frente. O resto é consequência.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital