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A tecnologia transforma processos; a cultura transforma resultados

Quando usada como apoio, e não como atalho, a tecnologia contribui para decisões melhores. É preciso buscar formas para fazer a IA gerar valor de verdade.

Por Isabel Menendez, em colaboração especial com a Você S/A* 25 fev 2026, 08h00 • Atualizado em 25 fev 2026, 14h48
Refração do arco-íris por fios coloridos através de um orifício de agulha em fundo preto.
 (MirageC/Getty Images)
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  • A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte essencial da rotina das empresas no Brasil. Na logística, algoritmos que otimizam rotas, modelos que preveem demanda, sistemas que antecipam riscos operacionais e plataformas que organizam volumes massivos de dados já fazem parte do dia a dia do setor. Não por acaso, segundo a consultoria IDC a inteligência artificial (IA) tem uma previsão de ter um impacto econômico de €17,9 trilhões na economia global até 2030, equivalente a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. O debate, no entanto, precisa ir além da tecnologia em si. A verdadeira transformação começa no comportamento das pessoas.

    Atualmente, o desafio não está mais em “ter” IA, mas em fazer com que ela gere valor real. De acordo com o relatório Avanade Trendlines: AI Value Report 2025, mais da metade das organizações brasileiras ainda está nas fases iniciais de business case ou prova de conceito, apesar de investimentos crescentes. Isso indica um cenário comum: tecnologia disponível, mas impacto limitado e pessoas não preparadas. 

    Na logística, a IA já se mostra uma aliada fundamental quando aplicada de forma integrada à operação. Modelos de previsão ajudam a reduzir desperdícios, análises avançadas apoiam decisões de capacidade e sistemas inteligentes aumentam a confiabilidade das informações. Mas esses benefícios só se materializam quando as pessoas confiam nos dados, entendem como usá-los e se sentem parte do processo. Assim, a confiança em IA cresce conforme aumenta a familiaridade, o suporte organizacional e a clareza sobre seus benefícios. Cultura e tecnologia, portanto, não são acessórios, mas pré-requisitos que se conectam diretamente.

    Outro ponto importante é compreender que a IA não substitui o julgamento humano. Ela amplia repertórios, reduz vieses operacionais e acelera análises, mas não toma decisões sozinha. Quando usada como apoio, e não como atalho, a tecnologia contribui para decisões melhores, não apenas mais rápidas. Também fortalece a confiança nos dados, reduz erros e riscos e cria ciclos reais de melhoria contínua, baseados em aprendizado e adaptação.

    Ao relacionar habilidades humanas com IA, podemos gerar mais inovação combinadas a uma cultura organizacional digital. Dados do levantamento da NewVantage Partners apontam que embora cerca de 92% das empresas globais estejam investindo em dados e inteligência artificial, aproximadamente 41% afirmam ter criado, de fato, uma cultura orientada por dados, ou seja, encontramos uma disparidade e uma notável diferença entre investir e implementar uma capacitação cultural. 

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    Resolver esse gargalo cultural exige escolhas claras. Envolver quem está na operação no desenho das soluções, capacitar líderes para interpretar dados com senso crítico, usar IA como apoio à decisão e medir impacto humano, não apenas eficiência técnica. Transformação digital não é um projeto de tecnologia; é um projeto de pessoas.

    O futuro das empresas, e da logística não é diferente, será cada vez mais digital, automatizado e orientado por pessoas e dados. Mas também exigirá responsabilidade e senso coletivo. A próxima onda de competitividade não será definida apenas por quem adota a IA primeiro, mas por quem consegue integrá-la à sua cultura de resultados. Porque, no fim, tecnologia sem pessoas não escala e inovação sem cultura não se sustenta.

    *Isabel Menendez é diretora de Recursos Humanos da Loggi

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