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É verdade que foi o pai do João Dória quem criou o Dia dos Namorados no Brasil?

Sim, é verdade. Conheça a origem comercial e nada romântica da versão brasileira do Dia dos Namorados

Por Leo Caparroz 12 jun 2025, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h11
Cartaz publicitário ilustrado
 (Fritz Lessin/Reprodução)
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No Brasil, o Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho. Sim, só no Brasil. A grande maioria do resto do mundo celebra o Dia de São Valentim, ou Valentine’s Day, que acontece no dia 14 de fevereiro. Ela é em homenagem a um padre romano que organizava casamentos em segredo em uma época que as cerimônias eram proibidas.

A versão brasileira da data não tem nem um pouco dessa história romântica. Ela é, na verdade, a conclusão bem-sucedida de uma propaganda.

Em 1948, João Dória, dono de uma agência de publicidade, recebeu o trabalho de ajudar as Lojas Clipper a ressuscitar as vendas do mês de junho. Grande empreendimento do comerciante Nilo de Souza Carvalho, as Lojas Clipper era uma loja de departamentos especializada na venda de roupas e acessórios femininos.

O que o publicitário João Dória (que é pai do ex-governador de São Paulo, João Dória Jr.) sacou, foi que o meio do ano é um vácuo de feriados comerciais. Junho e julho não têm um Dia das Mães ou Natal para instigar o consumo.

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Então, ele desenvolveu uma peça publicitária tentando emplacar um Dia dos Namorados. “Não é só com beijos que se prova o amor”, dizia o slogan. A ideia era instigar namorados a comprar presentes especiais e inesperados que demonstrariam seu amor pelas suas namoradas.

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“O presente que você comprou ao gosto dela e que não é esperado é uma dessas lembranças que ninguém esquece, sobretudo se você teve a delicadeza de coincidir seu presente com o Dia dos Namorados”, dizia a peça.

Ao lado, o cartaz firmava a data romântica como 12 de junho. O mês de junho foi escolhido por ser fraco nas vendas. O dia 12, por acaso ou não, é véspera da celebração de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

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O slogan foi muito bem-sucedido: a Associação Paulista de Propaganda julgou a propaganda de Dória como a melhor peça publicitária do ano. A data começou a realmente pegar no resto do país e, anos depois, já tinha virado uma celebração comum para os românticos.

Hoje, o Dia dos Namorados é a terceira melhor data para o comércio brasileiro, atrás apenas do Dia das Mães e do Natal. A data estrangeira de São Valentim até tem os seus adeptos aqui. Talvez pelo desejo dos namorados de atrelarem seu romantismo com algo um pouco mais simbólico do que uma peça publicitária de inegável sucesso.

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Cartaz publicitário ilustrado
“Beijar a namorada é muito bom e, até certo ponto, pode ser uma prova de amor. Mas não esqueça de que beijos, beijos e mais beijos… nem sempre convencem! Amar verdadeiramente exije outras provas, inclusive a de fazer sempre lembrada, da ausência, a pessoa a quem se quer bem. O presente que V. comprou ao gosto dela e que não é esperado é uma dessas lembranças que ninguém esquece, sobretudo se V. teve a delicadeza de coincidir seu presente com o DIA DOS NAMORADOS”. (Fritz Lessin/Reprodução)
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