Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

A economia comportamental explica ações de pânico ligadas ao coronavírus

Após ser classificado como pandemia, o novo coronavírus já causa ansiedade e pânico. A economia comportamental pode te ajudar a manter o controle

Por Monique Lima 14 mar 2020, 10h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 17h14
sick-4890118_1920
 (Terri Sharp por Pixabay/Reprodução)
Continua após publicidade

São Paulo – A Organização Mundial da Saúde declarou na última quarta-feira (11) que o novo coronavírus (COVID-19) chegou ao cenário pandêmico. Verificada pela última vez em 2009, devido ao H1N1, a classificação de pandemia é uma definição que diz respeito ao nível de disseminação da doença, de modo que a gravidade não é um dos parâmetros analisados para esta determinação global.

Até o momento, o Brasil conta com 1.913 casos suspeitos e 200 confirmados, sem nenhum óbito, segundo a plataforma oficial do Ministério da Saúde. A taxa de transmissão da doença, analisada por meio de estatísticas chinesas, está entre 2 ou 3, de modo que um contaminado, infecta mais duas ou três pessoas.

O número é considerado baixo para especialistas da saúde. Para meio de comparação, o sarampo – doença causada por um vírus, com 13.489 casos confirmados no país em 2019 – possui uma taxa de transmissão de 13 pessoas.

Porque estamos com medo do coronavírus?

Para Flávia Ávila, especialista em economia comportamental e fundadora da consultoria InBehavior Lab, uma das causas para o grande alarde é o julgamento ocasionado pela frequência do evento. “Novas ameaças parecem ser mais graves do que aquelas as quais já estamos acostumados, mesmo que os números digam o contrário. É uma influência do meio”, diz.

A alta demanda por informações e atualizações constantes do assunto mantém o tema em nossa mente e influenciam nosso comportamento em situações de pânico como a que estamos vivenciando. Flávia alerta para o perigo da tomada de decisões com base na percepção inflada de risco.

Atentos à situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou orientações para diminuir a ansiedade e manter a saúde mental durante a pandemia. Os recados vão desde atitudes que devemos ter em sociedade até maneiras de explicar a situação para crianças.

Aliado a isso, Flávia indica algumas análises de economia comportamental que podem ajudar a permanecer no controle para tomar decisões melhores que ajudem na prevenção pessoal e cuidado do outro.

Continua após a publicidade

O que saber para não surtar com o COVID-19

Negligência da probabilidade

Já ouviu falar da negligência da probabilidade? Talvez você esteja cometendo sem saber. “Pequenas probabilidades o ser humano tende a dar mais atenção, sejam elas boas ou ruins. Trata-se de um valor subjetivo de escolha”, diz Flávia e exemplifica. Quando jogamos na loteria, ignoramos a soma depositada pensando na recompensa de um prêmio milionário, com o coronavírus é o mesmo princípio. “Um cenário alarmante faz com que criemos pânico por uma doença cuja taxa de mortalidade ainda se mostra baixa”.

Em artigo produzido para a Bloomberg, o advogado e professor Cass R. Sunstein salienta que os custos humanos de uma pandemia vão muito além da saúde pública. Eles são sociais e econômicos – e um produto da psicologia humana, por isso a compreensão das consequências não devem ter como base a negligência das probabilidades.

Efeito manada

Continua após a publicidade

O efeito manada está sendo verificado nos últimos dias na corrida às compras para estoque e venda de fundos de investimentos. O supermercado australiano Woolworths se viu na posição de racionar a venda e limitar a compra de papel higiênico por usuários. Movimentos similares aconteceram em países europeus.

O resultado é a escassez de produtos nas prateleiras, instabilidade em mercados financeiros e amplificação da situação de crise. “Mesmo sem muitas informações, acabamos imitando o comportamento alheio pela sensação de incerteza, seja passando a utilizar máscaras respiratórias sem conhecer a real eficácia do uso, ou comprando produtos porque está vendo os outros fazendo igual”, diz Flávia.

Viés de confirmação

Continua após a publicidade

O viés da confirmação é a tendência de procurar por informações que confirmem crenças, ignorando contradições. Para Flávia, no caso do COVID-19, a classificação “pandemia”, embora relacionada ao aspecto geográfico, gerou a confirmação da crença de gravidade da doença.

“Sabendo que podemos estar tomando decisões enviesadas, devemos encontrar formas de “parar” o nosso sistema mais automático de pensamentos e atitudes e acionar o nosso sistema mais racional para avaliar melhor a situação. Assim, impedimos que o pânico e a histeria tomem conta”, diz.

Os protocolos de prevenção como lavar as mãos, utilizar álcool em gel, evitar lugares fechados e cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirro são simples de ser adotados e devem ser usados para evitar pânico.

Continua após a publicidade

Saiba como se prevenir dos efeitos do coronavírus na economia e no trabalho

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital