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Camila Antunes

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Mãe, pedagoga, especialista em inteligência emocional, parentalidade e felicidade. Top Voice do Linkedin e fundadora da consultoria Filhos no Currículo.

O problema não é a licença, mas como ela é tratada

Você pode se preparar, estudar os mapas, aprender o idioma, fazer as malas… mas, ao chegar ao destino, tudo é novo.

Por Camila Antunes 2 jan 2025, 08h00 | Atualizado em 2 jan 2025, 15h27
maternidade
 (Jenna Norman/Unsplash)
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á um ano, me tornei mãe pela terceira vez. Uma feliz surpresa inesperada que me deu a chance de embarcar novamente na aventura que é a maternidade.

Com a experiência prévia, vem o bônus de ter alguma noção do que pode acontecer, mas também o ônus de saber que nada será como antes. Atravessar o portal da maternidade e da paternidade é como partir para uma viagem ao desconhecido. Você pode se preparar, estudar os mapas, aprender o idioma, fazer as malas… mas, ao chegar ao destino, tudo é novo. Afinal, os mapas ajudam, mas é a vivência que realmente nos transforma.

E nenhuma viagem é igual à outra. Cada filho um novo carimbo no passaporte. Cada destino, uma viajante diferente. Apesar de me sentir mais preparada, também estava ansiosa e com medo. Era como estar a alguns passos do próximo nível, mas precisar voltar ao início do jogo. 

Nesse turbilhão de sentimentos, percebia a transformação no corpo, o aumento do peso, as mudanças nas medidas e nos pensamentos. Durante a gravidez, enquanto criamos uma nova vida do zero, também precisamos nos preparar para essa viagem. No trabalho, surgiram as dúvidas: Qual é o melhor momento para contar para o time? E para o gestor? Não é só sobre como contar, mas sobre o impacto que isso pode causar.

Depois dos meus dois primeiros filhos, fundei uma empresa para ajudar pessoas e organizações a lidarem com essa jornada. Pensei em tudo o que poderia facilitar esse processo, tornei-me especialista, ouvi histórias de mulheres, pais, líderes e RHs. Mas, como já aprendi, os mapas nunca são a realidade. Na minha vez, eu também senti o peso e a incerteza.

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Contei para minha sócia e para meu time. E as perguntas surgiram: O que vai acontecer durante a minha licença-maternidade? Como me preparar? Como garantir que tudo dê certo?

Sabíamos que havia processos capazes de tornar esse momento mais eficiente e cuidadoso, transformando a licença-maternidade em uma oportunidade, não em um problema. Nos preparamos, e, mesmo assim, as perguntas iniciais continuaram sem resposta. A licença-maternidade é essa ruptura no tempo que abre espaço para o novo. 

Nos últimos três meses de gestação, o tempo parecia acelerar — tanta coisa ainda precisava ser resolvida! E, ao mesmo tempo, ele passava devagar, na espera do grande dia. Uma contradição de emoções. Produtividade e eficiência para deixar tudo pronto. E nenhuma certeza de como seria.

Então, ela chegou. Hora de partir. Um silêncio e uma inquietação: Como será a volta?

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Ainda hoje, a pausa da licença-maternidade é vista como um prejuízo, um problema, uma barreira para mulheres e empresas. Dados mostram que muitas mulheres deixam o mercado, recebem menos, não são promovidas — e tudo isso está ligado ao fato de precisarem parar para acolher um filho.

Mas, licença-maternidade não é um benefício. É um direito. Não só da mulher, mas da criança, do pai e da família. É um ritual de passagem para novos seres — e novas formas de ser.

E mais: a licença-maternidade é uma oportunidade de crescimento e inovação para todos.

Durante a minha licença, minha empresa cresceu. Novas atribuições surgiram, mais autonomia e talentos emergiram. Meu time cresceu, enquanto também eu crescia em casa. Descobri habilidades e potenciais que talvez não tivessem espaço se eu estivesse tão presente.

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Como José Saramago disse: “É preciso sair da ilha para ver a ilha.” E, muitas vezes, estar tão ligada ao trabalho nos impede de perceber o que mais existe ao nosso redor ou em nossas potencialidades.

Preciso confessar: no início, é estranho. É desconfortável reconhecer que a vida segue sem você, que você não é indispensável. Mas também é libertador. Porque, ao se afastar, você se abre para novas possibilidades, novas ideias, novos crescimentos.

Licença-maternidade é isso: criadora de novas possibilidades.

Vou colocar um adendo importante aqui: durante minha licença, minha sócia contou que estava grávida. Nove meses depois de eu ter o meu bebê, já no meu retorno ao trabalho, ela também saiu de licença.

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E o mais interessante disso foi que nossa empresa cresceu, com um ano de ótimos resultados, com dois filhos a mais no currículo e duas sócias de licença no mesmo ano.

Tenha certeza, e reforço com pais e lideranças com os quais convivemos e atuamos: o problema não é a licença-maternidade, mas como ela é tratada. 

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