Aniversário da Abril: Assine por apenas 1,99
Imagem Blog

Guru

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Perguntas & Respostas

“Short selling”: o que significa operar vendido?

É uma aposta arriscada. Que funciona desafiando a lógica: você primeiro vende uma ação que não tem, para só depois comprá-la – mais barato do que vendeu.

Por Alexandre Versignassi 13 out 2022, 20h07 | Atualizado em 13 out 2022, 20h07
Ilustração de um investidor, segurando notinhas de dinheiro, observa atentamente um gráfico distante que exibe flechinhas oscilando, tendendo a cair.
 (Taíssa Maia/VOCÊ S/A)
Continua após publicidade

Na prática: vamos dizer que você não tem ação nenhuma na carteira. Então abre o home broker e clica num ticker qualquer. Vai aparecer um espaço para você colocar a quantidade de ações que deseja e dois botões: “Comprar” e “Vender”. Aí você aperta “Vender”.

Mas, ei: se você não tem ação nenhuma, está vendendo o quê? Vento? Quase isso. Vamos dizer que você vendeu, desse jeito, 100 ações da IRB Brasil (IRBR3) a R$ 1,15 cada uma no início do pregão. Nos bastidores, acontece o seguinte: sua corretora recebe a ordem, pega e vende no mercado 100 papéis IRBR3 que ela possui, cobrando uma “taxa de aluguel” por isso.

Nota: essas ações não pertencem à corretora, na verdade, mas a algum outro investidor que topou deixar suas ações disponíveis para aluguel, em troca de uma parte da taxa. A corretora só faz o meio de campo.  

 

260% ao ano sobre o preço de venda da ação: era a taxa de aluguel de IRBR3, por conta da alta demanda para short selling.

Continua após a publicidade

Bom, fora essa taxa, você fica com uma dívida. De R$ 115? Não: de 100 ações do IRB – aparece na sua tela de custódia que você possui “-100 IRBR3”. Um saldo negativo não em dinheiro, mas em papéis.   

E isso faz toda a diferença. Para sair do vermelho, você precisa COMPRAR 100 ações do IRB em algum momento – quanto mais tempo passar, maior será a taxa de aluguel. Vamos dizer então que, em dois dias, ela derreteu 13%. Caiu para R$ 1,00. Legal. Você vai e compra 100 papéis por R$ 100. Pronto. Seu saldo negativo em ações some.

Em suma, você fez uma compra a R$ 100 e uma venda a R$ 115 – não importa que a venda tenha rolado primeiro. E temos aí uma diferença de R$ 15, que vai para o seu bolso (fora a taxa de aluguel, que nesse caso será de alguns centavos). Você produziu dinheiro do nada. E poderia ter sido muito dinheiro: se você tivesse vendido 1 milhão de papéis a R$ 1,15, a diferença a embolsar seria de R$ 150 mil.

Continua após a publicidade

É isso que quem “opera vendido” almeja: que o preço da ação caia forte entre a venda, que produz a dívida em ações, e a compra, que vai zerar o saldo.

O nome da operação é “venda a descoberto”. “Descoberto” porque você não possui o ativo que está vendendo. Em inglês, é short selling, que tem a mesma acepção (se você diz que está “short of” alguma coisa, significa que você não tem aquela coisa).

Mas claro: se o preço do ativo sobe quando você está “shortado” nele, danou-se. Venda um milhão de IRBR3 a R$ 1,15. Se a ação for a R$ 1,30, seu saldo final será de R$ 150 mil negativos. Do nada… Vender a descoberto, afinal, não é “investimento”. É aposta.

Continua após a publicidade

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital