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Ousadia para abrir o próprio negócio

Um publicitário e uma especialista em terceiro setor trocaram suas carreiras pelo empreendedorismo e abriram a sorveteria Frida & Mina, que teve um faturamento milionário em 2015

Por Por Elisa Tozzi 8 jan 2016, 06h03 | Atualizado em 17 dez 2019, 15h24

SÃO PAULO – O casal Fernanda Bastos, de 38 anos, e Thomas Zander, de 36 anos, resolveu abrir uma sorveteria mesmo sem ter experiência na área. A Frida & Mina, localizada em São Paulo, já tem dois anos, acumula prêmios de publicações especializadas em gastronomia e conquistou um faturamento de 1,25 milhão de reais em 2015. Na entrevista a seguir, Fernanda explica como eles deram essa guinada na carreira. 

Como surgiu a ideia de empreender com sorvetes? 

Eu trabalhei anos no terceiro setor, em ONGs como a Fundação Gol de Letra. Fiquei dez anos nessa área, mas estava um pouco desencantada com a burocracia do setor. Queria mudar diretamente a vida das pessoas, mas, no fim das contas, o trabalho acaba sendo mais burocrático do que efetivo e aquilo não influencia, de fato, na trajetória de quem precisa. O Thomas, meu marido, estava cansado também. Ele é publicitário, trabalhava numa agência e tinha um caminho claro para crescer – mas não queria ser como o chefe dele. Em 2010, eu engravidei. Aí foi a primeira reviravolta, pois parei de trabalhar para cuidar da minha filha, Leila. Nesse meio tempo, começamos a pensar em uma alternativa de carreira. E veio a ideia de trabalhar com alimentação natural. A sorveteria parecia uma boa opção por não precisar de uma cozinha muito grande para produzir. Quando a Leila tinha nove meses, compramos uma sorveteira caseira e já começamos a pensar seriamente em abrir a Frida & Mina. 

De que maneira vocês se preparam para a abertura do negócio?

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Nosso planejamento durou um ano. Thomas continuou trabalhando na agência de publicidade, nesse meio tempo. Tínhamos um dinheiro guardado e vendemos um imóvel para bancar os custos da abertura. Além disso, fazíamos testes de sabores em casa e o Thomas fez cursos de sorveteiro no Senac. Uma coisa importante foi encontrar uma espécie de mentor. Pesquisando sobre sorvetes, descobrimos a Van Leeuwen, uma sorveteria americana que não usa insumos químicos para fabricar sorvetes. Entrei em contato com eles, que toparam nos dar uma consultoria por 1 000 dólares. Thomas foi até Nova York e fez um estágio. Até hoje trocamos figurinhas com os americanos. 

Enfrentaram algum desafio no começo da sorveteria? 

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Vários. O principal foi uma constatação: na sorveteira de casa, nada dá errado. Mas quando compramos a sorveteira industrial, o sorvete não dava certo de jeito nenhum. Estávamos prontos para abrir a loja, mas as receitas não ficavam boas. Tivemos que ir readequando as proporções e atrasamos a abertura. Outro desafio é constante: ampliar nossa rede de fornecedores de ingredientes orgânicos. 

Vocês estão felizes com os resultados da empresa? 

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Muito.  A gente imaginava que ia dar certo, mas não que ia dar tão certo. Arriscar a mudança foi ótimo. Já temos lucratividade e conseguimos alcançar um bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Ficamos felizes também porque temos um contato direto com as pessoas e conseguimos nos integrar à cidade. A sorveteria fica em uma esquina perto de um colégio, de comércios e ao lado de uma ciclofaixa. É gostoso atender a uma diversidade de público. 

Pretendem abrir novas lojas? 

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Estamos justamente pensando para onde vamos. Temos planos, sim, mas somos cautelosos. Não queremos franquear a marca, mas talvez abrir mais uma loja. Só que temos encontrar o bairro ideal para isso, que tenha uma mistura de comércio e residências, como aqui em Pinheiros. Nesse primeiro momento, o que estamos pensando é em ampliar o atendimento para todos os dias da semana – hoje fechamos aos domingos. 

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