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Personal branding: mais de você, sem personagem

Conheça estratégias práticas para ter mais visibilidade e reputação no mercado – sem danos à sua sanidade.

Por Alexandre Carvalho
15 jan 2026, 17h00 •
Imagem de quatro personagens distintos separados por ícones circulares.
 (Brenna Oriá (Imagens: Freepik)/Você S/A)
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  • A ideia de “trabalhar bem e esperar reconhecimento”, num mercado de trabalho veloz e cada vez mais digital, já não funciona como antes. O que define quem avança, quem é visto e quem conquista oportunidades, muitas vezes, é como você se posiciona – e como os outros te percebem. Daí a importância de ter um bom personal branding.

    O conceito de marca pessoal não é mais algo reservado a empreendedores ou freelancers, tornou-se uma ferramenta essencial de carreira. E a razão é simples: a reputação, a consistência e a percepção de valor social com que você se apresenta no mundo – seja online ou presencialmente – podem abrir portas que um currículo impecável jamais abriria. 

    Mas construir uma marca pessoal de verdade vai além de postar frases inspiradoras ou replicar trending topics: exige clareza interna, autenticidade, estratégia e, surpreendentemente, coragem para ser vulnerável. É esse território que vamos explorar a seguir.

    O impacto é maior do que se imagina

    Em 2025, uma pesquisa realizada para a Aurora University revelou que 50% dos profissionais dizem que ter uma marca pessoal sólida pesa mais do que um currículo tradicional. Entre executivos, esse número sobe para 61%. 

    Ilustração de uma mulher usando um binóculo.
    (Brenna Oriá (Imagens: Freepik)/Você S/A)

    Outro dado: perfis completos no LinkedIn têm taxas de retorno até 71% maiores do que quem não investe na presença online. 

    Em um estudo acadêmico publicado pela revista Frontiers in Psychology, com quase 500 profissionais em contextos culturais diferentes, foi observado que o personal branding está diretamente ligado à satisfação com a carreira, mediada pela percepção de empregabilidade – a convicção de que você é relevante e desejado no mercado.

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    Os custos de uma visibilidade exagerada

    Apesar dos benefícios, há um lado B nessa aposta. A mesma pesquisa da Aurora University apontou que 38% dos profissionais relataram que manter uma marca pessoal causou estresse ou burnout no último ano (entre jovens, esse número alcança 40%). Além disso, há quem entenda o personal branding como “permanecer o tempo todo visível”, e isso pode gerar pressão, ansiedade, e, em alguns casos, causar desconforto com autopromoção ou exposição excessiva. 

    Enfim, personal branding dá, sim, poder, mas precisa ser muito bem-administrado. Você começa com o pé direito se evitar as armadilhas que relacionamos a seguir.

    Três equívocos comuns – e como fugir deles

    Equívoco 1: “Marca pessoal = postagens em rede social”

    Muita gente acha que marca pessoal é sinônimo de “postar bastante no LinkedIn, Instagram, etc.”. Isso não está completamente errado, mas é reducionista. Importa muito ter autenticidade, coerência entre o que você fala e o que você faz, propósito e valores. Se seu perfil não refletir quem você é de verdade – ou, pior, se estiver desconectado da sua atuação concreta –, o impacto será superficial e efêmero.

    Equívoco 2: “Quanto mais conteúdo, melhor”

    A compulsão por volume (postagens diárias, textos longos, vídeos frequentes) pode acabar gerando ruído. Sem uma estratégia clara, sem foco no valor que você entrega, você se torna mais uma voz entre tantas, e pode cansar quem te acompanha. Isso ajuda a entender por que tantos profissionais relatam exaustão relacionada à marca pessoal.

    Em vez disso, vale apostar na consistência consciente: escolher onde estar presente, com que frequência e com que tipo de conteúdo.

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    Equívoco 3: “Marca pessoal é só para quem busca emprego”

    Não. Personal branding vale tanto para quem está buscando emprego novo quanto para quem quer crescimento na própria empresa, transição de carreira, mudança de setor, consolidação de autoridade ou até preparação para liderar. O ponto é: sua marca pessoal é uma espécie de capital de carreira, e esse capital te acompanha em todas as fases. 

    Se seu perfil não refletir quem você é de verdade – ou, pior, se estiver desconectado da sua atuação concreta –, o impacto será superficial e efêmero.

     

    Como construir uma marca pessoal com substância

    Siga essas dicas para que seu personal branding realce a pessoa e o profissional que você é, em vez de construir um personagem com uma roupa que não te serve direito.

    • Trate sua marca pessoal como um ecossistema, não como um produto

    Quando você pensa em personal branding como algo que “lança e vende”, cai na armadilha da performance contínua e da cobrança de estar sempre ligado. Em vez disso, imagine sua marca como um ecossistema vivo. Isso significa: conhecimento, reputação, network, resultados, entregas, aprendizados, falhas, reinvenções.

    Cada interação, seja uma conversa, um post, um feedback ou uma entrega, é um nó desse ecossistema. “Nesse contexto, o crescimento na carreira deixa de ser uma escada e se torna um ecossistema de reputação”, apontou o conselheiro e professor Ângelo Vieira Jr., para uma reportagem da revista Você RH. “A visibilidade passa a ser consequência de consistência: quem articula propósito com entrega cria capital simbólico sustentável.”

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    Ilustração de três mãos fazendo um trabalho colaborativo.

    • Valorize a profundidade – não o alcance imediato

    Em vez de buscar o maior número de conexões ou de seguidores, busque qualidade de conexões, confiança e interlocução real. Um estudo da Cornell University (2024) sobre perfis no LinkedIn constatou que as habilidades multidimensionais reportadas nos perfis, e sua clareza, estão fortemente associadas a salários mais altos e posições de maior responsabilidade. Não basta mostrar que você “sabe de tudo”, é preciso demonstrar competência real e especialização. 

    • Misture visibilidade com vulnerabilidade

    Na era do branding pessoal, muitas pessoas têm medo de mostrar dúvidas, erros ou incertezas, como se isso manchasse sua reputação. Isso é um erro. A vulnerabilidade, quando bem colocada, gera empatia, humaniza, aproxima. E, no longo prazo, constrói autoridade real.

    Profissionais que compartilham lições aprendidas, erros superados e momentos de dúvida tendem a gerar relações mais profundas, memoráveis, e um network mais genuíno. 

    • Use credenciais atípicas 

    Nem sempre um mestrado ou MBA é o que mais pesa. Outro estudo da Cornell University, este sobre credenciais não tradicionais (como cursos online e certificações específicas), revelou que, em mercados emergentes, pessoas que divulgam essas certificações da forma correta têm chance 6% maior de conseguir emprego no ano seguinte, especialmente se vêm de contextos desfavorecidos. 

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    Usar cursos online, projetos paralelos, aprendizados autodidatas – e mostrá-los – pode ser uma estratégia poderosa.

    • Branding é maratona, não corrida de 100 metros

    Os retornos mais fortes de marca pessoal tendem a aparecer no médio e longo prazo, não no post de hoje ou no comentário de amanhã. A pesquisa da Frontiers mostra que a relação entre branding e satisfação na carreira é mediada pela percepção de empregabilidade: a marca ajuda você a se sentir mais capaz, mais preparado para oportunidades futuras.

    Um plano de ação básico para começar hoje

    Se você decidiu investir de verdade na sua marca pessoal, siga este roteiro prático. Mas faça com calma, reflexão e coerência.

    Auto-inventário honesto. Liste seus valores, competências, histórias de carreira (sucessos, erros, aprendizados), causas importantes para você. Esse será seu “mapa de identidade”.

    Defina seu propósito e público-alvo. Para quem você quer aparecer? Que tipo de oportunidades busca? Que imagem quer transmitir? Coerência de público e propósito é fundamental.

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    Escolha seus canais com intenção. Nem toda rede social vale a pena. O ideal é focar onde seu público está: LinkedIn, talvez um blog ou newsletter, ou redes de nicho. E trate esses espaços como canais de reputação, não de vaidade.

    Produza conteúdo com profundidade. Artigos longos, reflexões autênticas, cases reais, aprendizados… Tenha menos “autoajuda genérica”, e mais substância. Compartilhe também seus erros e dúvidas: autenticidade gera conexão.

    Construa um network de verdade. Não só “colecione conexões”, mas troque ideias, converse, comente em posts, apoie colegas, participe de grupos, eventos ou debates.

    Branding é maratona, não corrida de 100 metros. Os retornos mais fortes tendem a aparecer no médio e longo prazo.

     

    Apresente suas credenciais. Cursos online, projetos paralelos, aprendizados informais… Essa pluralidade revela versatilidade e iniciativa.

    Seja paciente e consistente. Dedique tempo, sem pressa por resultados imediatos. Marca pessoal é capital que cresce com o tempo.

    Equilibre visibilidade + bem-estar. Se notar cansaço ou pressão, desacelere. Proteja sua autenticidade. Marca pessoal forte sobrevive só se for autêntica e sustentável.

    Por que este pode ser o seu diferencial em 2026

    Vivemos um momento de transformação profunda no mundo do trabalho: automação, IA, reconfiguração de carreiras, novas demandas. Nesse contexto, o que vai diferenciar quem sobrevive e prospera não é apenas técnica ou experiência – é identidade, reputação e presença consciente.

    Ter uma marca pessoal bem construída te dá uma vantagem essencial: mobilidade. Você deixa de depender de um cargo, de uma empresa, de uma função. Sua “marca” te acompanha – e abre portas diferentes, em diferentes momentos.

    Para quem aceita esse desafio, os benefícios podem ir além de um novo emprego: você pode construir autoridade, legado, liberdade profissional, relevância e, sobretudo, coerência consigo mesmo.

    Imagine: em 2026, quando aquele recrutador, aquela empresa, aquele cliente ou aquele parceiro for procurar alguém com seu perfil ideal, você não vai aparecer por acaso. Vai aparecer porque, ao longo do tempo, sem pressa, você foi construindo algo que existe de verdade.

    E mais: vai aparecer como alguém confiável, que comunica com clareza, que entrega valor, que vive seus valores… não apenas como mais um nome num banco de dados.

    Porque, no fim das contas, sua marca é tão real quanto sua reputação – e, talvez, o ativo mais valioso que você pode construir.

    Ilustração de um homem segurando um arco e flecha.
    (Brenna Oriá (Imagens: Freepik)/Você S/A)

     

     

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