Bolsas disparam com tombo de 13% do petróleo
Ibovespa e S&P 500 interrompem sequência de quatro quedas seguidas, e sobem 2,5%.
Ontem, quando os EUA anunciaram seu boicote ao petróleo russo sem que a Europa acompanhasse a decisão, o mercado ficou meio João-Bobo, para lá e para cá. De um lado, o pânico com a sanção em si puxava as bolsas para baixo e o petróleo para o alto. De outro, o fato de só os EUA terem entrado no bonde, teve efeito contrário – já que o país não é um GRANDE importador da Rússia (só 3% do óleo bruto que eles importam vem de lá; 8% contando petróleo e derivados). No fim, o lado pessimista ganhou a queda de braço.
Hoje foi diferente. O petróleo caiu livre, leve e solto. O tombo abissal, de 13%, indica duas coisas:
- O momento é de volatilidade absurda, como em qualquer crise. Espere por mais baixas e altas de dois dígitos. Só não tente prever QUANDO elas vão acontecer.
- Analisar o passado é fácil. Mas vamos lá: uma queda dessa magnitude, mesmo sob um clima altamente volátil, indica que o barril pode ter subido além da conta.
Do dia 24 de fevereiro (início da invasão) até ontem, 08 de março, tinham sido 32%. Desde o início do ano, 63%. Num cenário assim, quando uma correção vem, chega forte. Foi o que aconteceu hoje.
Petróleo em baixa = menos pressão inflacionária. Menos pressão inflacionária = perspectiva de juros baixos (ou menos altos). E é disso que o mercado gosta. O tropeço do barril, então, “destravou valor” das ações, que vinham apanhando. Alta de 2,57% para o S&P 500. Nessas horas, onde a vaca vai, o boi vai atrás: 2,43%. Ambos os índices vinham de quatro dias seguidos de queda.
Petróleo em baixa não é festa para todo mundo, claro, menos ainda no Brasil. Das 91 ações listadas no Ibov, só seis ficaram no vermelho. Metade delas, as petroleiras do índice. PetroRio amargou -6%, 3R, -4%. A Petrobras caiu só 0,18%. Lógico. Quando o governo, qualquer governo, flerta com a ideia de interferir nos preços da estatal, ela passa a se comportar como se existisse no Mundo Invertido: cai quando o petróleo sobe e sobe quando o petróleo desce. Tudo bem, não chegou a tanto hoje. Mas ter ficado no zero num dia de queda de 13% do barril já é algo suficientemente anedótico.
E ok, o petróleo pode ter saído da ionosfera. Mas segue na estratosfera: alta de 15% desde o fatídico 24/02, e de 44% no ano.
Ainda é mais do que suficiente para manter a discussão sobre o que fazer com o preço dos combustíveis por aqui.
De um lado, Paulo Guedes é contra a possibilidade de qualquer intervenção do governo. Ontem à noite, ao ser questionado por jornalistas, Guedes disse que não vai ter congelamento de preços e ainda soltou um “esquece esse ‘troço’”.
Do outro, está Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, e Jair Bolsonaro. Eles avaliam a possibilidade de que esse subsídio seja bancado com dividendos da Petrobras. A PL 1.472 estabelece uma conta de estabilização de custos para os combustíveis subsidiada por três fontes: os dividendos da Petro, participações governamentais e impostos que estejam associados ao preço do petróleo.
Também está no Senado a PLP 11, que altera a forma de cálculo do ICMS, que é o imposto arrecadado pelos Estados. O objetivo é criar uma alíquota unificada para todo o território nacional. No entanto, o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) afirma que a mudança pode provocar uma alta na carga tributária – os Estados que têm alíquotas menores, por exemplo, correm o risco de serem obrigados a cobrar mais.
Até amanhã.
Maiores altas
CVC (CVCB3): 16,87%
Natura (NTCO3): 16,29%
Banco Inter (BIDI11): 14,94%
Gol (GOLL4): 11,18%
MRV (MRVE3): 10,28%
Maiores baixas
Vale (VALE3): -6,53%
PetroRio (PRIO3): -6,26%
3R Petroleum (RRRP3): -4,38%
Bradespar (BRAP4): -2,02%
Petrobras PN (PETR4): -0,18%
Petrobras ON (PETR3): -0,16%
Ibovespa: 2,43%, a 113.900 pontos
Em NY:
S&P 500: 2,57%, a 4.277 pontos
Nasdaq: 3,59%, a 13.255 pontos
Dow Jones: 2%, a 33.285 pontos
Dólar: -0,84%, a R$ 5,0106
Petróleo
Brent: -13,16%, a US$ 111,14
WTI: -12,12%, a US$ 108,70
Minério de ferro: -1,70%, US$ 158,79 no porto de Qingdao (China)





