🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Rumo ao hexa: dólar dispara 2% e volta a R$ 5,37

Fed indica que vai diminuir a impressão de dinheiro. E a moeda americana retorna um patamar não visto desde o início de maio. Já o Ibovespa cedeu mais 1%, e voltou aos 116 mil pontos.

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi 18 ago 2021, 18h08 | Atualizado em 16 dez 2024, 16h34
-
 (Laís Zanocco/VOCÊ S/A)
Continua após publicidade

Rolou hoje a divulgação da ata do Fomc (o Copom dos EUA, que determina a política econômica de lá). E ficou claro que os dirigentes do banco central americano ainda estão divididos em relação ao início do “tapering”, e sobre como ele será feito. No economês, tapering nada mais é do que o processo de retirada dos estímulos à economia.

Um desses estímulos consiste em imprimir dinheiro e dar para os bancos em troca dos títulos públicos que eles têm em caixa (e de outros títulos também, como dívidas imobiliárias) – sempre a um preço amigão. Aí os bancos emprestam os dólares novos e a economia gira. O problema é que isso gera inflação – que já passou de 5% nos EUA nestes últimos 12 meses (muito para um país acostumado a 2%). 

Parte dos dirigentes quer começar a redução do ritmo das compras mensais de títulos. No fim das contas, isso indica o seguinte: logo logo haverá menos dólares novos na praça. Com menos dólares por aí, os preços das ações tendem a cair. E o preço do dinheiro sobe. Ou seja: o dólar fica mais caro, e as bolsas caem,

Continua após a publicidade

O Fed não deu uma data para o início do tapering. Mas o mercado é filho de Mãe Dinah: vive de antecipar o futuro. E foi o que fizeram hoje. O Nasdaq caiu 0,89%, aos 14.525 pontos. Já o S&P 500 desvalorizou 1,07%, aos 4.400 pontos. 

O Ibov acompanhou o movimento: queda de 1,07%, aos 116.642 pontos, com o ônus da parte do preço do dinheiro: o dólar subiu 1,99%. A moeda americana não ultrapassava os R$ 5,30 desde de maio. Se o fim das recompras do Fed vier forte, não será surpresa se a moeda americana chegar ao hexa, ou seja, aos R$ 6.

Continua após a publicidade

Ibovespa

Hoje a nossa bolsa nadou, nadou e morreu na praia. Depois de dois dias de quedas e chegar aos 117 mil pontos, o Ibovespa deu sinais de melhora e chegou até a ficar no positivo. Mas não. No fim, ela só fez cair mais um patamar, fechando em 116.642 pontos

A verdade é que todo mundo ainda está estressado com a reforma tributária. Ontem, a Câmara dos Deputados decidiu adiar (pela terceira vez) o projeto que modifica as regras de cobrança do Imposto de Renda. Agora, a votação está marcada para a semana que vem.

O que continua emperrando a reforma do IR é o impacto na arrecadação de Estados e municípios. A Abrasf (Associação Brasileira das Secretarias de Finanças das Capitais) estima que o projeto atual vai causar um prejuízo de R$ 1,5 bilhão para as capitais e maiores cidades do país. Nos cálculos, as cidades passariam a receber R$ 800 milhões a menos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e R$ 700 milhões a menos no IR. Um pesadelo para as já combalidas contas públicas das cidades. 

Continua após a publicidade

A própria equipe econômica já está com pé atrás sobre a reforma. Acontece que para apoiarem as mudanças, os Estados e municípios querem o repasse de mais R$ 18 bilhões. E, segundo o jornal Estadão, os integrantes do Ministério da Economia já se posicionaram afirmando que, desse jeito, o projeto já “não se paga”.

Ou seja, já não é bom nem mesmo para o governo. Com isso, é capaz de só vermos uma reforma tributária depois das eleições, que podem mudar completamente as regras do jogo. E agora o mercado está no escuro  – o que atrai os preços das ações para baixo com a força gravitacional de um buraco negro.     

Continua após a publicidade

Minério de ferro em baixa

Altas de 2%, 3% no preço do minério de ferro eram carne de vaca, arroz de festa. De uns tempos para cá o sinal se inverteu.

Só hoje, a commodity levou um tombo de 4,58%. Com isso, atingiu o valor de US$ 153,39 por tonelada (pelas cotações à vista, do porto de Qingdao, China)  – é a menor cotação do produto desde 3 de fevereiro. 

Continua após a publicidade

Vale lembrar que o minério de ferro chegou a atingir os níveis mais elevados da história no primeiro semestre. No dia 10 de maio, após uma alta de 8,6% em 24 horas, ele bateu em US$ 230,56 a tonelada. Ou seja: 33% de queda de lá para cá. Metade disso agora em agosto…

Culpa dos temores sobre novos cortes da produção de aço (que tem como matéria-prima o minério de ferro) lá na China, e do aumento dos estoques da commodity nos portos asiáticos.

Por essas, só hoje a Vale caiu 3,36%. Entre as siderúrgicas (que também ganham dinheiro com mineração), a maior desvalorização foi da Usiminas (-4,73%). 

Braskem

Os papéis da petroquímica avançaram quase 5% após a empresa assinar uma nova parceria de distribuição, com a Nexeo Plastics. 

O acordo envolve materiais para impressão 3D e fabricação de aditivos. E a expectativa é que isso aumente a distribuição internacional dos produtos da empresa brasileira para a América do Norte e Europa.

Além disso, o BTG Pactual elevou o preço-alvo para a Braskem de R$ 63 para R$ 71 e reiterou a recomendação de compra. Nada mau para a companhia que lidera as altas do Ibovespa neste ano, com 132%. Porque o mercado é assim mesmo: o mundo pode estar acabando, mas quem apostou nos papéis certos fica assistindo tudo de camarote, com bebida que pisca. 

Maiores altas

Cogna: 5,16%

Braskem: 4,91%

Embraer: 4,19%

CVC: 3,32%

PetroRio: 2,81%

Maiores baixas

Usiminas: -4,73%

Ultrapar: -4,41%

Klabin: -4,01%

Bradespar: -3,85%

Weg: -3,20%

Ibovespa: queda de 1,07%, aos 116.642 pontos

Em NY:

S&P 500: queda de 1,07%, aos 4.400 pontos

Nasdaq: queda de 0,89%, aos 14.525 pontos

Dow Jones: queda de 1,08%, aos 34.961 pontos

Dólar: alta de 1,99%, a R$ 5,3749

Petróleo

Brent: queda de 1,16%, a US$ 68,23

WTI: queda de 1,70%, a US$ 65,21

Minério de ferro: queda de 4,58%, US$ 153,39 no porto de Qingdao (China)

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital