Será que você inspira o seu time?
Pare de mostrar que você tem todas as respostas e que sua vida gira em torno do trabalho. Isso é justamente o que as pessoas não querem ver na liderança.
Ser líder não é tarefa fácil, principalmente em tempos de incerteza. E não me refiro somente à insegurança econômica, política e àquela gerada pela intensa transformação tecnológica. Existe também uma grande incerteza sobre a imagem da liderança perante sua equipe.
Quando entrei no mercado de trabalho, ser chefe era símbolo de prestígio, admiração e sucesso. Há algum tempo essa impressão ficou bem diferente.
Para se ter uma ideia, lá em 2015, perguntamos a profissionais jovens, na pesquisa Carreira dos Sonhos [da Cia de Talentos], se eles consideravam seus líderes inspiradores. Metade disse que sim. Dez anos depois, essa taxa caiu para 40%.
Diante disso, talvez haja líderes que não se importam muito. E daí que muita gente não admira sua forma de atuar e tomar decisões no dia a dia? É impossível agradar todo mundo, certo?
É verdade, sim, que não dá para ser uma unanimidade nem corresponder às expectativas de cada pessoa do time. Mas desempenhar um papel inspirador tem pouco a ver com popularidade e mais com a capacidade de motivar e criar vínculos. Não se trata de uma questão de vaidade ou de ego.
Ser uma liderança inspiradora é, antes de tudo, ser capaz de engajar, desenvolver e criar um ambiente em que as pessoas sintam que fazem parte de algo maior do que suas tarefas individuais. Tudo isso contribui para a construção de um negócio sustentável e inovador.
O que faz a diferença?
Mostrar que você tem todas as respostas, que está ali para salvar a empresa de qualquer crise, que sua vida gira em torno do trabalho e que se orgulha de ser workaholic: isso é justamente o que as pessoas não querem ver em uma liderança.
O cinema contemporâneo deixou de retratar super-heróis como forças imbatíveis. Da mesma forma, espera-se que os líderes das empresas se mostrem mais humanos e menos heroicos.
Não à toa, quando perguntamos às pessoas o que constitui uma liderança inspiradora, as características mais citadas (por 39% dos respondentes) são a empatia e a capacidade de motivar os outros. Ou seja, a inspiração vem da proximidade, do contato constante, do diálogo e da disposição genuína de construir junto.
Claro que aspectos mais técnicos, digamos, também pesam. Conseguir inovar e empreender dentro do contexto corporativo, por exemplo, foi outra característica muito citada (18% dos respondentes). Na sequência, veio a resiliência diante dos desafios (17%) e a paixão pelo que faz (15%).
Ou seja, estamos diante de um mix de características comportamentais e estratégicas que nos ajuda a entender o seguinte: a expectativa que os times têm de seus gestores vai muito além da autoridade formal. Envolve escuta, humanização, disposição para aprender e construir junto.
Sei que a cobrança sobre a liderança é muita e que a pressão é constante. Por isso, não gostaria que você, leitor, encarasse esse artigo como mais um peso. Na verdade, os dados que mencionam me fazem te aconselhar o contrário: livre-se da cobrança de provar o tempo todo que é a pessoa mais forte, mais preparada ou que tem todas as respostas.
Em vez disso, busque exercer um papel de uma liderança facilitadora, que cria condições para que o time cresça, aprenda e entregue o seu melhor. Compartilhar a jornada, reconhecer limites e dividir responsabilidades não diminui a autoridade. Muito pelo contrário: fortalece a confiança.





