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Ser líder pode ser solitário

As decisões e responsabilidades da liderança podem afastá-la da equipe, mas é possível minimizar isso.

Por Por Ana Claudia S. Reis* 31 mar 2016, 15h49 | Atualizado em 15 out 2024, 19h05

Há muitos anos escuto sobre a temática da liderança e sua relação com a solidão, e tudo o que envolve a influência do poder no distanciamento do “mundo real”, se é que podemos classificar assim. Antes de tudo, acho interessante analisar a função do líder em uma organização, empresa ou grupo. Creio que o principal objetivo dentro dessa temática é entender que o líder faz parte de um conjunto, que possui suas forças e fraquezas.

O líder é muito mais do que detentor de decisões estratégias. Ele é um influente ponto de concentração de estabilidade e sabedoria. É quem equilibra times, a empresa, o ônus e o bônus de tudo o que envolve aquela organização. Tal característica pode afastá-lo do grupo que comanda ou trazer a essa figura um excesso de autoridade comum a quem tem muito prestígio, o que visivelmente é um perigo. Esse comportamento não influencia apenas na reação de seus liderados, mas também no afastamento da realidade. Chegar ao topo não é tarefa simples. Manter-se nele é ainda mais desafiador – sem contar o quanto é cansativo gerir vida pessoal e a carreira, que não raramente preenche muito mais o tempo daquele profissional. Com isso, vem o estresse. As dúvidas e o distanciamento da família, por exemplo. Tudo fica mais tumultuado e a solidão, nestes casos, pode ser um mecanismo de defesa intrínseco.

A solidão decorrente da liderança deve ser vista como algo natural, que faz parte da função. Um líder é naturalmente só, quando analisamos de forma hierárquica, pois não tem com quem compartilhar problemas e inseguranças. Além do mais, em muitos casos, será função desse profissional tomar decisões estratégicas que não agradarão a um determinado público, mas que poderão ser necessárias para a perenidade da empresa, por exemplo. E essa tomada de decisão é tarefa exclusiva do líder, ou seja, ele deve conduzir ocasiões sozinho. Também com frequência, o sentimento de estar se sentindo só é apenas uma questão de falta de afinidade com quem nos rodeia. Isso é comum em todas as posições, deve-se apenas trabalhar essa situação para que não comprometa os relacionamentos interpessoais.

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Mas é claro, não tirando o foco do papel estratégico que o líder desempenha, é fato que diversos fatores podem, e influenciam, a solidão do gestor. Um desses cenários é o intenso foco nos negócios e metas da empresa, que pode deixar o profissional submerso naquela situação, dificultando sua visão externa. A confidencialidade de informações da companhia pode gerar uma extrema falta de confiança em tudo e todos que os rodeiam, o que compromete o relacionamento com os demais. Outros pontos agravantes são o egocentrismo e a autossuficiência, que o tornam uma figura naturalmente isolada do todo.

Uma das estratégias que podem auxiliar a minimizar essa solidão é fazer parte de grupos com outros executivos de comando, como diretores e presidentes, que também vivem cenários e desafios semelhantes, tanto do ponto de vista profissional como do pessoal.

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Uma mudança de País, por exemplo, seria mais fácil se os executivos soubessem antes dos desafios e dos obstáculos a partir do ponto de vista de um executivo que presenciou situação similar. Por isso, grupos de líderes estão cada vez mais comuns dentro e fora do Brasil. O aprendizado com quem já viveu uma determinada situação é sempre mais enriquecedor.

*Ana Claudia S. Reis é sócia da The Caldwell Partners no Brasil, empresa de recrutamento e seleção de altos executivos.

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